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Eleições municipais de 1996 em Campo Bom-RS.

Análise das eleições municipais do ano de 1996 em Campo Bom-RS.

Eleições municipais de 1996.
Este ano foi marcante para minha vida particular e pública. Foi um ano caracterizado por várias atividades que me fizeram crescer, amadurecer, aprender a interagir com a comunidade e ainda mais a agregar conhecimentos de uma população que muito compartilhou histórias reais de suas vidas e me encorajou ir até fim com aquela árdua jornada de campanha desprovido de tudo. Foi uma experiência singular e muito diferente do habitual como docente teorizador de conhecimentos filosóficos aos discentes. Foi um excelente aprendizado político para vida nestas eleições municipais de campo Bom. Sair das grandes conjecturas e vivenciar uma prática social real direta com o povo. O aumento de atividade foi especial, quanto o grau de exigência para corresponder às expectativas de um povo ansioso por mudanças no campo político local.

Atividades profissionais durante esse ano de 1996.

Neste ano de 1996 era Professor de Filosofia na rede pública e lecionava História, Psicologia e Filosofia na Escola Estadual de ensino de primeiro e segundo graus Fernando Ferrari. Trabalhava com 60 horas semanais em sala de aula. Neste mesmo ano também tinha sido eleito pelo voto direto, diretor Geral do 14º Núcleo do CPERS/Sindicato para o período de 1996 a 1998. Eleita também por maioria absoluta dos votos da categoria, a nossa Presidenta Geral do Sindicato, a professora Lúcia Camini.   
O Governador do Estado do RS, da época o então: Sr. Antônio Britto.  O 14º núcleo sempre permaneceu na defesa dos direitos trabalhistas dos trabalhadores em educação dos 27 municípios do vale dos sinos, cai e Paranhana, com 181 Escolas.  Aproximadamente mais de dois mil professores e funcionários de escola sócios. O Núcleo com dois representantes 1/1.000 no Conselho Geral do CPERS/Sindicato. Isto é, a cada mil sócios 1(um) representante eleito pelos sócios em eleição direta.

Convite e aceitação do partido para concorrer as eleições.

Como filiado ao PT desde sua fundação em 1980, fui convidado pelo partido para encarar mais este desafio de concorrer a vice-prefeito de minha cidade com muito orgulho e disposição aceitei. Foi um desafio instigante e ao mesmo tempo difícil para encarar uma situação nova. Sabendo com antecedência que não haveria a mínima possibilidade de uma vitória neste pleito. Sem nenhuma igualdade de condições em comparação aos outros partidos tradicionais de sempre. Mas mesmo assim não deixei de atender uma convocação do meu partido. Junto na chapa majoritária o candidato a Prefeito: Arlei Laranjeira, eu de vice para concorrer com os outros candidatos com uma exorbitante distância em desvantagem para pleitear pela administração da cidade.

A ousadia de competir as eleições sem condições financeiras.

Nós saímos para pleitear as eleições com a força, cara e a coragem, ou como diz Caetano Veloso “sem lenço e sem documento”, ou seja, sem estrutura política e financeira zero. Nesta época a cidade de Campo Bom, adotava a lógica preconceituosa do senso comum a nível nacional, que os partidos de direita, pregavam em relação ao Partido dos Trabalhadores. Tudo que ocorria de baderna e arruaça em qual quer parte do país os culpados sempre era o pessoal do PT. Mesmo que fosse algo promovido por outras siglas partidárias, a culpa recaia sobre o PT, uma espécie de “bode expiatório” esta fama era muito marcante na cidade.


A resistência e preconceito da população.

A resistência da população era muito grande neste tempo em relação ao PT. Sempre foi e será assim, qualquer pessoa que se atrevesse concorrer a algum cargo eletivo nesta cidade, onde praticamente existe uma espécie de política monopartidária. Isto é, o partido único, que sempre governou este feudo moderno por muitos anos. Mesmo existindo nas eleições o pluralismo político nesta cidade reina o sistema monopartidário. Alguma vez ou outra, acontece uma espécie de rodízio político; apenas se promove a troca dos velhos dirigentes do poder de uma posição para outra, mas tudo permanecendo no mesmo clã político. 
Em 1996 as urnas de votação eram bem assim.
Nesta situação colocamos os nossos nomes na boca dos leões, sem medo, mas com muita altivez. Colocamos o partido na vitrine não foi missão fácil, quem nos acompanhou sabe da situação que estou relatando. Diante de todos os problemas enfrentados fomos bravos guerreiros, levamos o nome do partido às famílias de Campo Bom com zelo e dedicação.

Visitamos todos os bairros e ruas da cidade conversando, divulgando nosso programa de governo com apenas um único material produzido com extrema dificuldade financeira. Fizemos comícios, panfletagens, carreatas, visitas, eventos públicos, participamos dos debates públicos, além do programa de rádio de acordo com o tempo determinado pela proporcionalidade da lei eleitoral. Fizemos uma campanha limpa, sem recursos, mas com a coragem e determinação que exige o nosso partido.

A desmistificação preconceituosa contra o partido.

Aos poucos, quebramos a ponta do iceberg preconceituoso e fomos mostrando para o povo campo-bonense, que o PT não era esse bicho de sete cabeças que muitas lideranças rivais e retrógradas pintavam para as famílias do município. Esta visão foi sendo dilapidada com muito esmero por essa campanha majoritária e as proporcionais de 1996. Assim iniciamos um trabalho árduo sem muito apoio, mas construímos um pouco da história política de campo Bom em 1996. Esse período da história do PT em Campo Bom deve ser registrado nos anais petistas. Não deve já mais ser esquecida a nossa marca ficará para a história.  Sempre ficará em minha memória e a certeza que os companheiros ajudaram naquela campanha audaz para conquistar os votos da população enfeitiçada por mudanças, porém escolheram a mudança errada. 

Os que votaram na chapa majoritária: Arlei Laranjeira e Professor Cícero Barros, junto abriram as trilhas mais íngremes para as futuras campanhas andassem em estadas com menos espinhos preconceituosos, em busca da consolidação do partido na cidade. No entanto, quem sabe, um dia alguém possa destravar as portas enferrujadas pelo, poder feudal contemporâneo e refrigerar com novos ares de uma democracia renovada com outros personagens da história política de Campo Bom. O que fizemos no momento, me custou um preço muito alto, só quem participou sabe do que estou falando.

Uma campanha audaciosa, mas com a sensação de dever cumprido.

Esta foi uma campanha complexa e audaciosa, mas tenho certeza do dever cumprido como cidadão e filiado a um partido, que hoje com todas as suas falhas, defeitos e muitas qualidades estão construindo, um Estado e um Brasil mais humano, equitativo e solidário. A pesar de tudo considero uma campanha vitoriosa, não pela consagração das urnas, mas pelas pessoas que confiaram seu voto em nossa candidatura. Também devido à experiência adquirida entre a comunidade. E com forte presença do partido construindo sua história na busca do poder municipal. A nossa presença não foi insignificante, foi gloriosa por quer abrimos caminhos e deixamos um legado de determinação e coragem para outros darem continuidade na afirmação de um partido grandioso a nível nacional.

O resultado final do pleito municipal em 1996.

Resultado das eleições de Campo Bom em 1996.
Por tanto, o resultado da eleição daquele ano, não foi surpreendente devido às circunstâncias da conjuntura política do município em estado de ebulição. O povo exigia mudança, uma refrigeração do poder. Durante um longo período um único partido estava no comando da administração municipal, já eram oito anos consecutivos. 

O povo lutava e retumbavam por gente nova no comando da administração pública municipal. Contudo, não fizeram uma escolha das mais felizes. Mais uma vez o povo preferiu por uma escolha democrática, mas, no entanto, com um final, um tanto melancólico e vexatório em muitos momentos turbulentos daquela administração e muitas consequências para toda comunidade de Campo Bom.


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