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A Revolução Farroupilha outrora e hoje.

Uma breve análise da revolução farroupilha de outrora para a atualidade.

Revolução farroupilha de 1858-1845 - RS
O ufanismo da Revolução Farroupilha que é exaltado em 20 de setembro no Estado do Rio Grande do Sul. E inclusive é feriado estadual. Este dia faz remeter aos anos de 1835-1845. Quando o povo gaúcho travou uma batalha inglória, contra o Império brasileiro na tentativa de ser uma província diferenciada; do restante do Brasil de intenção separatista. 

Porém, incluía como pano de fundo, as pesadas cargas dos impostos atribuídos pelo poder imperial e as más condições de vida em que viviam os habitantes dos pampas, não muito diferente da situação de hoje.
Ontem dia 09/09/2013 se travou uma batalha atual entre a tropa de choque do Governador Tarso Genro e os professores e funcionários de escola. Os servidores exigem que o chefe do executivo pague um salário digno aos professores e os trabalhadores em educação. 


Todos solicitam o cumprimento do piso salarial nacional. Uma lei federal descumprida pelo atual governador, a luta farroupilha continua sem trégua, mas atualmente em modos modernos e sofisticados. 
Essa ideia de bravura que transcende gerações e gerações até os dias atuais é muito forte; onde “o orgulho de ser gaúcho”, agora não passa de um mero saudosismo, para se relembrar   uma época, onde de fato o povo lutou sem medir consequências, para se obter uma vida digna e para terem seus direitos; reconhecidos pelo Império do Brasil.

Feriado para relembrar com o folclore a Revolução Farroupilha.

Porém, hoje é feriado oficial no Estado do RS, para relembrar a memória dos que deram a vida pelo pago gaúcho. As comemorações de hoje não traduzem à cruel realidade que os heróis da guerra dos farrapos enfrentaram. A consciência do que foi de fato esta revolução está fora do contexto histórico. Esta guerra não foi uma festa como está focada no imaginário popular, foi algo muito além da fantasia, foram violentos combates e derramamento de sangue e dias difíceis para os farroupilhas. Enfrentaram frio, chuva, calor e fome, não foi uma festa como muitos imaginam. Foram momentos cruéis que todos os farroupilhas enfrentaram. 

O legado dos heróis da guerra farroupilha vem esfarrapando-se aos glamorosos festejos culturais, junto aos fantásticos carros alegóricos que desfilam nas principais cidades gaúchas. Tudo regado a churrasco, chimarrão bem amargo, e o fandango (dança folclórica) com peões e prendas vestidos caraterizados; como manda a tradição. Isto é, são fantasiados de pilchas e bombachas (trajes tradicionais da cultura gaúcha), em seus piquetes e (CTGs) Centro de Tradições Gaúchas.

O orgulho de comemorar a Guerra dos Farrapos.

O povo gaúcho orgulhosamente faz esta festança com sentimentos de nostalgia dos legítimos farrapos do período de 1835-1845. Neste dia mais um dever cívico do cidadão gaúcho é cumprido. Todos permanecem de consciência em paz e principalmente com o torrão gaúcho amado. Porém, tudo bem, sem mais problemas tudo resolvido, consumado. No entanto, as aparências enganam, acomodam, alienam e o povo sofre carências de tudo e com um diferencial dos velhos farrapos. Hoje o povo sofre calado com um espírito de sonolência e calmaria e se contentam com o mínimo, que o poder atual lhes oferece. Como se no Rio Grande do Sul, não precisasse mais de lutas, semelhantes ou maiores do que as dos tempos dos farrapos. Lutas da atualidade, por que as necessidades de hoje são maiores e mais urgentes e bem diferentes dos daquela época.

Hoje o povo gaúcho necessita de muitas lutas na educação, saúde, segurança e habitação.

A educação brasileira e gaúchas e seus problemas
Hoje o povo gaúcho tem uma revolução a ser feita na área da educação. Já publiquei neste blog a educação do RS agoniza e agoniza muito tempo. Andando quase parando e muitas vezes desfalecem, sendo necessário um desfibrilador para ressuscitar a qualidade da educação como um todo. Os priores índices segundo o (Ideb). 

Escolas caindo aos pedaços, professores em lutas e greves constantes para obter um salário justo a sua profissão. O governo nem cumpre com o Piso Nacional do Magistério (PSN). Os famosos precatórios que o governo deve aos seus servidores e não tem data para pagar. Temos uma categoria de professores trabalhando doente segundo pesquisa do CPERS/Sindicato.

A saúde do povo gaúcho está em estado de calamidade. Os principais hospitais do Estado estão com seus corredores lotados à espera de uma consulta. Há casos em que os pacientes levam mais de um ano para serem atendidos, quando se faz uma marcação de consulta, muitos morrem antes de serem chamados. A categoria dos trabalhadores da saúde ganha um péssimo salário. Os municípios criaram uma forma bem prática e barata de socorrem seus pacientes. 

Como a maioria não tem hospitais adequados usa o sistema da ambulância terapia, ou seja, todos os pacientes do interior do Estado são mandados para capital Porto Alegre, para serem consultados e medicados via SUS. Este ano ocorreram várias mortes pela gripe HN1N1.

No quesito segurança todos os cidadãos gaúchos vivem em situação de total insegurança. Quem é honesto e trabalhador vive trancafiado em suas casas com um aparato de segurança rígido e mesmo assim os meliantes invadem as residências, fazem reféns e roubam tudo que é conquistado com muito suor. Quem pode fazer segurança em suas casas faz. Já que, todo este aparato de segurança é neurótico, e ninguém vive mais tranquilo. E quem não pode permanecer à mercê dos marginais. O trânsito é uma verdadeira carnificina a cada fim de semana e nos feriados. Se mata mais gente, do que as duas grandes Guerras mundiais.

A população vive em uma situação de risco em relação aos fatores climáticos, seja em época de seca ou de chuva torrenciais, não existe um esquema de prevenção às estas calamidades. Muitos agricultores perdem suas plantações seja da agricultura familiar, ou de pequeno, médio e grande porte. Em épocas de chuvas severas as populações com destaque a população pobre sofrem com as enchentes, perdem tudo e muitos até perdem a vida.

Soluções simples resolveriam graves problemas, como o saneamento dos lugares onde passam córregos e rios que alagam as moradias. Problemas que muitos enfrentam desde quando se faz uma nova rua ou um grande bairro residencial. Passa anos e anos acontecem às mesmas situações de destruição e nada é feito. 

O sistema habitacional que era para ser a alegria na vida dos trabalhadores de baixa renda se torna um verdadeiro pesadelo para todos. A maioria não consegue pagar as prestações, que eram para ser suaves prestamentos, mas são pesadas quotizações que consomem tudo o que ganham. A própria construção é de péssima qualidade e a casa não é grande. Parece um legitimo cubículo vendido a preço de ouro, ou melhor, numa espécie de sistema locatário vitalício.

É importante comemorar a Guerra dos Farrapos, mas de maneira realista.

A revolução Farroupilha nos dias de hoje, em 28/12/2015.
Portanto, comemorar os feitos da Revolução Farroupilha é fundamental para relembrar as façanhas dos heróis do passado. Porém, não basta ficar gloriando o passado e esquecer as lutas do presente. A realidade de hoje não deixa de ser uma guerra esfarrapada do presente. Temos muito que pelear pelos direitos conquistados com muita luta e organização e batalhar ordeiramente por uma vida digna em todos os sentidos. 

Na madrugada desta segunda-feira, dia 28/12/2015 o governador José Ivo Sartori, sitiou mais uma vez a Assembleia Legislativa, com forte esquema de segurança por soldados e a cavalaria da Brigada Militar. A casa do povo amanheceu cercado por grades e o acesso ficou restrito a funcionários e a imprensa.

Não basta só festa, acima de tudo temos que ser exemplos de virtudes em todos os tempos, ontem hoje e sempre. Como diz o próprio hino do RS: ”Mas não basta para ser livre ser forte aguerrido e bravo; povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. A nossa luta seguindo o exemplo dos aguerridos farrapos deve ser permanente para que se tenham paz de verdade e liberdade de morar seguro, poder viver cultivando as virtudes de honestidade, e viver sem medo da violência, da falta de saúde, ter uma educação de qualidade com mestres trabalhando e recebendo um salário justo e emprego para todos. Só assim os ideais farroupilhas serão perpetuados concretamente na vida real. De um povo aguerrido para conquistar   uma equidade social. 

E que todos os cidadãos possam usufruir via políticas, públicas, das riquezas   produzidas nesse Estado. Não apenas ficar na pura miragem de uma época que foi atroz para quem participou de “uma injusta guerra” e hoje se comemora como se fosse algo sereno. Imperativo mostrar o outro lado real dessa “ímpia guerra” através da história, para todas as gerações de uma forma coerente e não demagógicas.

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